Friday, September 30, 2005

A Saga Do Condensador Dourado - 26º Episódio

Dia 23 de Janeiro de 2300, 22:00 da noite na Terra.

Os Nove haviam entrado através da porta que estava escondida minutos antes. Percorriam um escuro e frio túnel. Estavam, obviamente, assustados, e avançavam lentamente. Percorreram cerca de quatrocentos metros, até que se depararam com sinais de actividade naquele lugar. Havia ossos no chão, como que se alguém ali tivesse feito um banquete. Não aparentavam ter muito tempo de decomposição, o que adiantava que a refeição teria sido pouco tempo antes. Havia também marcas na parede, como que pinturas rupestres. Alguém vivia ali. Se tal era possível, talvez os Nove fossem encontrar algo de extraordinário. Um ser diferente do que estavam habituados a encontrar. Eis que, de súbito, ouvem um estrondoso arroto. Vinha mesmo do fundo, do interior perdido de algum ser gigantesco. O medo instalou-se, ainda que misturado com alguns risos incontrolados. Avançaram mais alguns metros, até que ouviram algo estranho…

- Zecáááááááááááááááááááááááááááá!!!!!!!! Zecááááááááááááááááááááááááááá!!!!!!!!!

As paredes do túnel estremeceram… O que seria aquilo? Que imponente criatura poderia libertar tal rugido? A resposta não tardou… Uma volumosa e medonha criatura aproxima-se.

- Quem sois vós? - perguntou a criatura.

- Vimos à procura da saída deste túnel. Indicaram-nos este caminho… E tu, quem és? -

pergunta o Covas.

- Sou o Zecáááááááááááááááááááá!!!!!!!!!!!! Zeca, melhor dizendo. Vivo aqui há muitos anos. Não gosto muito das outras pessoas. Falam, têm opiniões, chateiam-me, chamam-me “Zekman”, entre outras coisas. Fiquei farto de lhes partir a cara, preferi sair de perto deles. Conheci, tempos depois, o último samurai do planeta Terra, que se refugiou também aqui por perto. Guarda a saída deste túnel. Se quiserem sair daqui com vida, terei que vos acompanhar, caso contrário terão muitos problemas. É o Má-Té-Ús. Vivia num local chamado Japão. Mas se vocês querem sair deste túnel, então querem ir para… Eh, vocês sabem para onde vão?

- Sim, estamos informados sobre todos os perigos que nos esperam. Mas temos mesmo que ir a Noc-Pwen, onde a tribo local vive em exclusão… Os Sung-Noc-Pwen irão fazer tudo para nos colocar fora do território deles, mas temos um imperativo que não pode ser ignorado. - responde o Jonny Bitu.

- OK, vocês lá sabem. Mas aviso-vos que é mesmo perigoso.

- Oh Zeca, eu sou muito amigo do Imperador Donken. Ele pode arranjar um lugar para vocês no seu exército, ou na sua guarda pessoal. Iriam ser mais respeitados em Zork. Isto não deve ser uma vida muito agradável… - afirma o Covas.

- Se o pudesses fazer, agradecia. Eu nunca me adaptei muito bem à sociedade porque sou um pouco agressivo… Se pudesse fazer da minha agressividade um modo de vida, tudo seria mais fácil.

- Quando voltar, levar-te-ei ao palácio do Imperador. Ele não hesitará em recrutar-te.

- Agradeço o que estás a fazer. Vamos então até à saída do túnel. Senão o Má-Té-Ús vai ser um pouco rude…

Os Nove apressaram-se, tinham muito ainda para andar…

Longe dali, noutro ponto de Zork uma nave aterrava.

- Chegámos. Montem o acampamento. Estamos atrasados… Devem fazer uma ponderação prévia, acompanhada de uma esquematização escrita no vosso caderno, fazendo os cálculos necessários e também uma previsão dos resultados esperados nessa tarefa. - diz o Senhor do Bigode.

Os soldados não perdem tempo…

 

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Friday, September 23, 2005

A Saga Do Condensador Dourado - 25º Episódio

Dia 23 de Janeiro de 2300, 21:00 da noite na Terra.

Os Nove estão agora perto da Torre Noctigus. O Covas não consegue disfarçar o medo que sente. Os restantes oito já começam a entender o porquê de tanto medo por parte do Covas. A Torre era enorme, era feita em pedra, mas uma espécie de pedra completamente negra, que não existia na Terra, tinha esculpidas em todo o seu redor estátuas medonhas, imponentes, mostrando guerreiros mutilados e figuras da mitologia de Zork.

- Quem é que se lembrou de fazer isto? - perguntou o Pedro.

- Foi um antigo Imperador, chamado Noctigus, que espalhou o terror pelas terras que estavam fora do seu domínio. E fez, por isso, uma Torre que ilustrasse o seu reinado. - respondeu o Covas.

Os Nove estavam agora em frente da porta. Nada de especial lhes chamou a atenção, nada que se pudesse considerar um pista. Sabiam agora que teriam que entrar. Assim que entraram repararam na imensidão de quadros expostos na parede. Todos mostravam figuras relacionadas com a guerra. Imagens do Imperador em combate, imagens de territórios devastados pela guerra, exérictos alinhados, tudo servia para ornamentar as imensas paredes da Torre, frias e escuras. Assim que chegam perto das escadas, começam a ouvir barulhos vindos do andar de cima.

- Não estamos sós… - diz o Daves.

- Pois não, e acho que vamos ter problemas… - diz o Nuno.

Começam a subir as escadas e assim que chegam ao andar de cima, encontram uma porta. Muito velha, a porta estava semicerrada. O Little Life, que era claramente quem estava com menos medo naqueles Nove, abriu a porta, de forma decidida. Nada. Ninguém. Percorrem o longo corredor e encontram outra porta. Semicerrada também, também aberta pelo Little Life. Nada. Ninguém. Sobem ao segundo piso. Ninguém. Terceiro e último piso. Quem os acompanhava naquela Torre só poderia estar ali. Abrem a última porta e a sala estava vazia. Os barulhos começam a vir dos andares de baixo.

- Estão a brincar connosco. Ou vamos acreditar que isto está assombrado? - diz o Jonny Bitu.

- É, de facto, muito estranho o que se está a passar aqui. - diz a Cátia.

Os Nove começam a descer, e no 2º piso encontram um envelope pousado junto de uma das portas. Abriram-no e leram.

“Na Torre escura se aventuraram
Os Nove sem medo de nada
Mas pensem bem onde andaram
Há uma porta ainda fechada.”

- O quer isto dizer? - perguntou a Cátia.

- Talvez fale de uma passagem secreta. - diz o Pedro.

- Procuremos nas salas todas. Vamos separar-nos. - diz o Jonny Bitu.

O Jonny Bitu foi com o Pedro, a Cátia com o Delfim, o Little Life com o Daves, e Covas com o Nuno e com o Alexandre. Percorreram as salas todas, até que o Little Life grita:

- Está aqui!

Todos acorreram ao local. Uma enorme estante estava desviada, e por ser perfeitamente móvel, não fez qualquer barulho. Quem ali esteve, deixou o caminho preparado. Uma porta se escondia por detrás da estante. E estava agora diante dos Nove, como que a convidá-los a entrar. Foi o que fizeram.    

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Wednesday, September 7, 2005

A Saga Do Condensador Dourado - 24º Episódio

Dia 23 de Janeiro de 2300, 16:00 da tarde na Terra.

Os Nove chegam agora ao Jardim Das Gárgolas. O Covas espera que a próxima pista se encontre no banco número 24, onde o livro que acabara de encontrar, no Templo de Sor-Fon-Gur, tinha sido escrito. Dirigiam-se para lá, e todos olhavam com espanto  para as estranhas espécies de plantas que encontravam. Não conheciam nada parecido. As árvores eram gigantescas, com ramos que pareciam ter vida própria, tentando agarrar quem ali passava. A juntar-se àquele ambiente medonho estavam estátuas enormes e imponentes de gárgolas, que faziam parte de muitos mitos de Zork. Só o Covas se sentia à vontade. Tinha passado ali muitas horas em criança, a brincar com os seus amigos.

Poucos minutos tinham passado e estavam agora em frente do banco número 24. O Covas procurava alguma pista. Nada. Todos procuravam intensamente, mas sem sucesso. Até que o Little Life grita para os outros:

- Encontrei alguma coisa!!!

Todos se aproximaram dele. Tinha nas mãos um papel, dobrado, e com um cordão a mantê-lo fechado. Rapidamente o desdobraram, passando a ler o que estava escrito.

“Uma grande obra aqui foi criada
Neste lugar para sempre lembrado
Mas se ainda esperam ter uma jogada
Devem seguir um mapa odiado.”

Só o Covas podia descodificar este texto. Lembrava-se de uma história antiga, que falava de um mapa que era procurado por conter as localizações-chave de um clã odiado em Zork. O Clã de Sung-Noc-Pwen, aquele que actualmente vive à parte da sociedade de Zork. No dia em que esse mapa foi descoberto, ficou guardado no Palácio do Imperador, para garantir que não mais cairía em mãos erradas. Para que o acordo feito entre o Líder do povo de Zork e a tribo Sung-Noc-Pwen fosse respeitado. O Covas explicou-o aos Nove, e decidiram regressar ao Palácio. Tinham que analisar o mapa.

Feita a viagem de regresso, os Nove explicaram ao Imperador a situação, pedindo que os deixasse analisar o mapa. O Imperador assentiu. O mapa indicava um caminho a percorrer. Uma jornada de entrada na tribo. O primeiro local era a Torre Noctigus. A assustadora torre que um dia guardou o lado Norte da cidade onde se encontravam. Hoje estava inactiva, era apenas um ponto de visita. Mas o Covas detestava aqulele lugar.

- Não, aquela torre não…

- Mas qual é o problema? - perguntou a Cátia.

- Quando estiveres lá vais perceber…

Os Nove não imaginavam o que os esperava…
 

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Monday, September 5, 2005

A Saga Do Condensador Dourado - 23º Episódio

Dia 23 de Janeiro de 2300, 12:00 na Terra.

O Covas ligou então para um velho amigo.

- Sim?

- Len-Gor? É o Covas!

- Covas? Não pode ser…

- Sim, sou eu. Estou cá em Zork. Assuntos da família… Precisava que me desses uma ajuda aqui com uma dúvida. Já ouviste falar na Lenda Das Rochas?

- Eh pá! Ligas-me ao fim de tanto tempo e perguntas-me logo isso…

- Preciso de tirar uma dúvida que surgiu numa conversa.

- Bom, digamos que eu acredito nisso, e que estás mesmo a tirar uma simples dúvida surgida numa conversa…

- A sério!

- OK, não interessa. A Lenda Das Rochas é muito antiga. Conta que no Templo de Sor-Fon-Gur está uma parede com vários tipos de rochas. Segundo a lenda, se um dia as rochas se desunirem, Fon-Gur sairá do templo e voltará a governar Zork. E nesse dia ele irá entregar a cada povo do planeta um pedaço de rocha da Grande Parede. A parede foi feita de muitos tipos de rochas para simbolizar a vontade de Fon-Gur em que todos os povos de Zork se unissem. No dia em que o Grande Tratado foi assinado, a parede foi feita em sua homenagem.

- É isso! O Templo de Sor-Fon-Gur! Obrigado Len-Gor. Depois falamos. Cumprimentos a todos!

O Covas sabia agora onde se deveriam dirigir os Nove. Ao fim de uma hora de caminho, já os Nove se encontravam a poucos metros da Grande Parede de Sor-Fon-Gur. Ela surgia de forma imponente no horizonte, como que a desafiar toda a paisagem envolvente. O Covas sorria, orgulhoso, por saber que os seus amigos da Terra admiravam a obra sem conseguir dizer o que quer que fosse.

- Este monumento representa o quê? – perguntou o Pedro.

- Este monumento é uma homenagem ao maior Líder que já passou por este planeta. Chamava-se Fon-Gur, e foi o principal responsável pela reunificação dos povos de Zork. Numa altura em que o planeta era assolado por guerras, este homem lutou com todas as suas forças para que a paz fosse uma realidade, e uniu todos os povos em torno de um ideal. Um só Zork. E conseguiu-o. E no dia em que foi assinado o Grande Tratado, os Líderes de cada povo resolveram mandar construir um Templo, envolvido por esta enorme parede, que é feita com vários tipos de rocha. É uma gigantesca metáfora. Isto é, a Grande Parede resultante da união de vários tipos de rocha representa um grande planeta resultante da união de vários povos.

Assim que chegaram à parte frontal da parede, na qual se encontra o gigantesco portão de entrada, o Covas reparou logo num objecto que poderia ser a próxima pista. Um livro, pousado no chão, chamou-lhe de imediato a atenção. Assim que o Covas pegou nele, o título sobressaiu. “Viver Zork, amar depois”. Covas adorava aquele livro. Sabia exactamente onde tinha sido escrito. Era uma das maiores obras de Zork, e todos as crianças o estudavam na escola. Tinha sido escrito por Dun-Twigller no jardim das Gárgolas. No banco número 24. Talvez fosse o próximo destino.     

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Saturday, September 3, 2005

A Saga Do Condensador Dourado - 22º Episódio

Dia 22 de Janeiro de 2300, 22:00 da noite na Terra.

Os Nove já jantaram e estão agora reunidos com o Imperador Donken.

- Sei que vocês têm o objectivo de transportar um poderoso objecto até uma nova localização. Mas devido à presença de um temível inimigo, houve uma alteração de planos. O Jonny Bitu irá explicar-vos. – diz Donken.

- Nestes últimos dias tive inúmeros contactos com os membros do Conselho Superior da 22 kOhm. Chegámos à conclusão que seria necessário encontrar uma solução que permita enfrentar este inimigo sem pôr em risco o Condensador Dourado. Sabemos que se este cair nas mãos do Grupo Farad, o Senhor do Bigode constituirá um perigo para todo o Universo. E não podemos correr esse risco. É demasiado elevado. Por isso tomámos uma decisão muito importante. O Condensador Dourado vai ser destruído. Este poderoso objecto já foi a causa de muitos conflitos, e a 22 kOhm, na qualidade de responsável pelo Condensador Dourado, decidiu trazê-lo para Zork, onde existe uma máquina que o poderá destruir sem qualquer tipo de risco de explosão. – diz o Jonny Bitu.

- Mas não é a obrigação da 22 kOhm proteger o Condensador Dourado? – pergunta o Pedro.

- Sim, é verdade. Mas mais do que isso, a primeira obrigação da 22 kOhm é impedir que o Condensador Dourado caia em mãos erradas. E se, para tal, for necessário destruí-lo, não podemos hesitar em fazê-lo. Para bem de todos.

- E onde é que está a máquina que vai destruir o Condensador Dourado? – pergunta o Little Life.

- Essa é a grande questão. Talvez o Imperador possa responder melhor do que eu. – responde o Jony Bitu.

- No planeta Zork há uma tribo que vive à parte da nossa governação. São uma espécie de rebeldes. A tribo chama-se Sung-Noc-Pwen. Vive num território no qual o nosso exército não entra, devido a um protocolo que fizemos com eles há oito anos atrás. Eles vivem à parte da nossa sociedade, e nem nós entramos lá, nem eles entram cá. Não podemos quebrar o acordo. Vocês podem tentar lá entrar. Mas terão que fazê-lo pelos vossos meios. E lá terão que procurar a máquina. – explica o Imperador Donken.

- Já estamos habituados. – responde o Daves.

- Vamos precisar de ajuda. – diz o Pedro.

- Isso já foi providenciado, duas naves já estão na Terra há muito tempo, posicionadas para partir a qualquer momento. Esta missão estava planeada há muito. Em poucos dias, estarão cá os vossos amigos. Farão a viagem em menos tempo do que vocês. As naves são o melhor da nossa tecnologia. Fazem o percurso em 10 dias. – diz o Imperador.

- Basta entrarmos em contacto com eles. Virão sem hesitar. – diz o Nuno.

Os Nove entraram já em contacto com os seus camaradas de armas. Já vêm a caminho os reforços de que tanto precisam. E hoje inicia-se a busca pelo local onde será destruído o Condensador Dourado. Estão já a chegar a um local chamado Gworkat. Lá espera-os um espião zorkiano, que tem uma chave para lhes entregar. Essa chave abrirá um cofre perto dali, que contém uma pista acerca do local onde está a máquina. Assim que chegam, batem à porta de uma casa velha, aparentemente abandonada. A porta abre-se, e deparam-se com um homem, que sabem ser o espião.

- Os tigres esperam pela hora de atacar. – diz o espião.

- Mas os falcões já estão a voar. – responde a Cátia.

- Espero-vos por ordem do Imperador. Tenho uma chave para vos dar. Abrirá um cofre que se encontra a 3 Km deste local. É no edifício que diz “Zwin-Gorn”, na sala 37-C. Lá encontrarão uma pista. Terão que a descodificar.

Os Nove recebem a chave e dirigem-se então ao local onde está o cofre. Assim que chegam, apercebem-se de que só um poderá entrar. É escolhido o Little Life. Todos sabem da sua capacidade de desaparecer e de se camuflar. Minutos depois, o Little Life entra então no edifício. Ninguém dá pela sua presença. Avança em passos leves e certeiros até à sala do cofre. Abre a porta com muito cuidado, e de pronto abre o cofre. Retira um papel dobrado, e abandona o local. Chegado ao exterior, entrega o papel à Cátia. A Cátia não demora a desdobrar o papel. E começa a lê-lo em voz alta.

Uma potente máquina queres encontrar
Que longe de ti está escondida
Mas se as Rochas fores procurar
Uma nova pista ser-te-á fornecida.

Todos estavam em silêncio. Estavam na presença de uma charada. Um código. E ninguém sabia o que fazer. Até que o Covas se lembrou de algo. Decidiu ligar a um amigo.

 

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